A Cidade

Floresta teve início no século XVIII nas fazendas Curralinho e Paus Pretos, mas foi na Fazenda Grande, à margem direita do Rio Pajeú, que teve início a povoação de Floresta. Na segunda metade do século XVIII, a fazenda servia de curral temporário para o gado que vinha da Bahia abastecer os engenhos de açúcar pernambucanos.

Em torno do oratório particular, erguido em 1777, que viria a ser depois a Capela do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, surgiu o povoado de Fazenda Grande. Os proprietários da Fazenda Grande, e sua esposa D. Joana de Souza Silveira, doaram suas terras ao Bom Jesus dos Aflitos, em 1778, no cartório de notas da Fazenda Riacho do Navio. A proximidade com os Rios Pajeú, São Francisco e o Riacho do Navio aliada ao espírito de cristandade atraíram o povo para o local.

Em poucos anos, o povoado de Fazenda Grande foi elevado à categoria de Vila em 31 de março de 1846, por meio de projeto que se tornou Lei Provincial n° 153, apresentado pelo representante de Flores, município também banhado pelo Rio Pajeú, do qual foi desmembrado.

Em 1849, como sanção por sua participação ativa na Revolução Praieira, a Vila da Floresta foi incorporada ao povoado de Tacaratu, contudo, em 1864, o Termo da Comarca foi restaurado.

Ainda como vila, e com o advento de República, Floresta teve como o primeiro prefeito o Tenente-coronel Fausto Serafim de Souza Ferraz, que assumiu em 1892. Em 20 de junho de 1907, através de Lei estadual n°867, foi elevada à categoria de cidade.

Localização

O município de Floresta-PE, possui uma área de 3.644 Km2, sendo o segundo maior município do estado. Dista 438 km da cidade de Recife – capital do estado e está a 316 metros de altitude.

Localiza-se no sertão pernambucano, na Mesorregião do São Francisco, Microrregião de Itaparica. Limita-se com os seguintes municípios:

Ao norte: Serra Talhada, Betânia e Custódia;

Ao sul: Estado da Bahia e os municípios de Petrolândia e Tacaratu;

Ao leste: Custódia e Inajá;

A oeste: Carnaubeira da Penha, Belém do São Francisco e Itacuruba.

Administrativamente o município encontra-se dividido em 03 distritos: Floresta (sede), Airi e Nazaré do Pico.

O acesso à cidade se dá através da BR 316, PE 360, PE 390, pavimentadas e a PE 423 em terraplanagem.

População

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população estimada em 2016 é de 32.152 habitantes. A densidade demográfica é de 8,4 hab/km².

Economia

A cadeia produtiva da caprino-ovinocultura assegura o desenvolvimento econômico e social de Floresta- PE. De acordo com o Banco de Dados do Estado de Pernambuco, CONDEPE/FIDEM o município é detentor do maior rebanho de caprinos do estado e possui o 2º maior rebanho de ovinos.

Ao lado da pecuária, desenvolve-se a agricultura de subsistência e a agricultura irrigada, presente nas margens do Rio Pajeú, do Riacho do Navio e na Borda do Lago de Itaparica. A implantação de projetos irrigados, a partir do Canal Eixo Leste/PTSF, constitui hoje, uma grande possibilidade de crescimento econômico, através da irrigação empresarial e da agroindústria.

Um projeto para a exploração de depósitos de minério de ilmenita para produção de dióxido de titânio no município, já está em andamento. A pesca artesanal, também compõe o cenário econômico municipal.

No setor industrial se afirmam e despontam estabelecimentos no segmento de doces, polpas, pré-moldados, olaria, artefatos de couro, panificação, café, carpintaria e roupas.

O comércio atrai compradores de cidades circunvizinhas e contribui significativamente para o desenvolvimento econômico. Além deste serviço, o município dispõe de outros, tais como: estabelecimentos bancários, hospitais, escolas, clubes, hotéis, restaurantes, bares, transportes e comunicações.

PONTOS TURÍSTICOS

Riacho do Navio

Nasce a uma altitude de aproximadamente 750 metros, na Serra das Piabas, onde marca o limite entre os municípios de Betânia e Custódia.

É o mais importante afluente do Rio Pajeú. Destaca-se historicamente por ser o berço do povoamento em nosso município, como também, por sua influência na economia local.

O imortal Luiz Gonzaga – rei do baião – em parceria com Zé Dantas compôs a música Riacho do Navio, onde retrata paisagens do sertão e sentimentos do nordestino (saudade, tranquilidade, amor, pega de boi, caçadas e outros). Desse modo, o citado riacho é “conhecido” por muitos brasileiros.

Rio Pajeú

A importância deste rio como potencial turístico do município passa por este contexto histórico, foi o principal caminho para a instalação de currais e fazendas, durante a colonização. Principal afluente do Rio São Francisco em solo pernambucano, margeia a sede do município e favorece o desenvolvimento da agricultura e pecuária no município.

TEMPLOS RELIGIOSOS

Capela Nossa Senhora Aparecida

O Sr. Artur Pedro, sacristão da catedral por 57 anos, durante a construção da atual Catedral, caiu do telhado, quebrou os braços e as pernas ficando por um longo tempo impossibilitado de caminhar. Fez uma promessa a Nossa Senhora Aparecida e voltou a andar. Assim, construiu a tão singular capela, onde colocou a imagem de sua devoção. Em 12 de outubro, celebra-se, no local, uma missa solene.

Um fato que torna esta capela ainda mais especial, é a sua localização. Está construída em um bloco da rocha granítica, à margem do Rio Pajeú, conhecido por todos como “Pedras de Jusina”. Estas pedras, até finais do século passado atraia os jovens para animados encontros e banhos no Pajeú.

Igreja da Ermida

Esta singela igreja, impressiona pelo fato de estar localizada no alto de uma colina, de onde se pode descortinar uma vista panorâmica da cidade e contemplar a beleza de um pôr do sol no sertão. Tem relevância histórica, porque foi construída para marcar a passagem do século XIX para o século XX. Possui uma área de 100 m².

Sua estrutura é de tijolo e cal, arquitetura barroca, portas de madeira. No pátio em frente, existe um cruzeiro em madeira, encimado em base de alvenaria.

Catedral do Bom Jesus dos Aflitos.

Inaugurada em 1969. Está localizada na Praça Antonio Ferraz. Sua construção representa o espírito moderno da Igreja Católica, sendo a maior igreja da cidade.

No interior da catedral, além do imenso crucifixo com a imagem do Bom Jesus dos Aflitos e do sacrário, que sugere estar suspenso no ar, observam-se outras obras de arte, tais como: dois anjos, dois peixes, uma imagem de Jesus Ressuscitado, construídos em metal fundido; a tampa da pia batismal, feita com cobre repuxado; a via sacra trabalhada em arame amassado e as imagens de Nossa Senhora da Conceição e do Sagrado Coração de Jesus.

É importante registrar, também no seu interior, a existência do túmulo de Dom Francisco Xavier Nieorff, 3º Bispo da diocese e construtor deste templo.

Igreja Nossa Senhora do Rosário

A primeira Igreja da cidade, atraiu a construção de casas nas suas imediações. De acordo com Ferraz (1999:32), já em 1777, havia no local um oratório pertencente ao Capitão José Pereira Maciel. A partir de 1897, passou a invocar Nossa Senhora do Rosário.

O estilo barroco, o piso de tijolos, o forro em madeira, o altar mor construído em madeira entalhada e detalhado em linhas curvas, a imagem de Nossa Senhora das Dores esculpida em madeira (posta na igreja em 1863), a fachada principal com uma porta central de arco abatido tendo acima duas janelas arqueadas, uma cimalha arqueada apoiando um frontão com curvas e contracurvas, duas torres maciças ligeiramente recuadas da fachada principal, são alguns dos motivos que tornam esta singela igreja um dos mais belos cartões postais da cidade

Cemitério Público São Miguel

Localiza-se na Avenida Major José Rodrigues de Moraes, foi construído no início do século XX, cuja inauguração data de 1903. Este cemitério revela características do estilo barroco, possui túmulos que são verdadeiras obras de arte, cujas torres podem ser contempladas ao longe, no momento em que se vê a cidade. Aos olhos do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, de renome internacional, o conjunto arquitetônico deste cemitério é comparado à cidade de Constantinopla, traduzido no poema Cemitério Pernambucano – Floresta do Navio.

Antes de se vê Floresta

Se vê uma Constantinopla

Complicada com barroco gótico

E com cenário de Ópera

É o cemitério. E esse estuque,

Tão retórico e tão florido,

É o estilo doutor, do gosto

Do orador e do político…

De um político orador,

Que em vez de frases, com tumbas

Quis compor esta oração

Toda em palavras esdrúxulas.

Esdrúxula na folha plana

Do sertão, onde, desnuda,

A vida não ora, fala

E com palavras agudas.

CONJUNTO ARQUITETÔNICO

Casario

Data do final do século XIX e início do século XX, o conjunto arquitetônico que conforma o sítio histórico de Floresta. Localiza-se no centro da cidade e destaca-se pelo valor histórico, pelo grau de conservação dos imóveis, pela beleza e harmonia das fachadas e pela mistura de estilos, predominando o estilo eclético, intercalados ao neoclássico e barroco.

Dentro deste conjunto arquitetônico estão destacadas no Inventário do Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco, as seguintes construções: Escola Júlio de Mello, Edifício da Antiga Força Pública e o sobrado nº 258, localizados na Praça Major João Novaes, a residência nº 142 na Praça Antonio Ferraz e a Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Praça Coronel Fausto Ferraz.